Fazenda Nossa Senhora da Piedade. Foto: Villy Ribeiro
Fazenda Nossa Senhora da Piedade. Foto: Villy Ribeiro

Oásis

A mudança de atitude, quando esta não está em consonância com práticas conservacionistas, é um dos direcionadores do nosso trabalho. E mudar exige um posicionamento de vanguarda. Em 2006, lançamos o Oásis: uma iniciativa pioneira, que estimula a conservação da natureza por meio do pagamento por serviços ambientais (PSA).

Serviços ambientais são aqueles prestados pelos ecossistemas naturais e que fornecem condições para a manutenção da vida na Terra. São exemplos desses serviços: a purificação do ar e da água, a mitigação das enchentes e das secas, a renovação do solo e de sua fertilidade, a regulação climática, a polinização das plantações e da vegetação natural e o controle de pragas agrícolas.

Portanto, o pagamento por serviços ambientais pode ser entendido como a premiação financeira pela proteção dos ecossistemas. Isso significa que os proprietários que protegem suas áreas naturais e, consequentemente, proveem serviços ambientais podem ser premiados pelos esforços de manutenção desses serviços.

A metodologia adotada, inédita no país, foi desenvolvida pela própria Fundação Grupo Boticário. O resultado é um modelo flexível, capaz de atender a diferentes realidades sociais, econômicas e ambientais em todo o Brasil.

Além de uma forma de cálculo para a valoração ambiental das propriedades, foi elaborado um conjunto de ferramentas e procedimentos que auxiliam as instituições parceiras a planejar e estruturar seus projetos, realizar a valoração ambiental, selecionar os proprietários, monitorar e avaliar os resultados e buscar potenciais fontes de recursos.

Desde seu lançamento, o Oásis já foi reconhecido com os prêmios Von Martius de Sustentabilidade, Brasil Ambiental, PLACA Prize e Expressão Ecologia, entre outros. Agora, o objetivo é disseminar o mecanismo de PSA pelo país, estimulando o investimento em iniciativas similares, ampliando as ações voltadas para a conservação da natureza e possibilitando ações de longo prazo, como, por exemplo, o estímulo à criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN).

Como Implantar

Como detentores da metodologia do Oásis, estabelecemos parcerias regionais para implantação da iniciativa em diferentes municípios do Brasil.  

As ferramentas e materiais são repassados para os parceiros locais - prefeituras, comitês de bacias hidrográficas, consórcios, empresas, ONGs, entre outros - que se comprometam a implantar o Oásis em parceria com a Fundação Grupo Boticário. Nosso papel é orientar e acompanhar o processo de implantação e desenvolvimento, dando suporte no estabelecimento de áreas prioritárias, elaboração de marco legal, valoração ambiental e articulação institucional.
Incumbe-se aos parceiros locais a busca de fontes financiadoras para viabilização do projeto e premiações financeiras, execução local (trabalhos de campo, cadastros, monitoramentos), contratações e premiações aos proprietários de terras, entre outros.

Onde Estamos

O Oásis foi implantado primeiramente na porção sul da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo as bacias hidrográficas de contribuição das represas de Guarapiranga e Billings, mananciais de abastecimento público e Áreas de Proteção Ambiental municipais do Capivari-Monos e Bororé-Colônia. As últimas ainda abrigam importantes remanescentes de Floresta Atlântica na maior metrópole brasileira.

Depois de São Paulo, a metodologia do Oásis foi para o Sul do Brasil: Apucarana (PR) e São Bento do Sul (SC). Em 2012, o Oásis foi estendido para Brumadinho (MG), onde os primeiros proprietários já começaram a ser contemplados.

Em sete anos, 223 proprietários de terra foram beneficiados e 724 nascentes foram protegidas, em um total de 2.213 hectares de áreas naturais protegidas. Atualmente, o Oásis integra iniciativas que estão em fase de desenvolvimento em Palmas (TO), São José dos Campos (SP), Bonito (MS) e na Região Metropolitana de Curitiba (PR).