Fazenda Masceno. Foto: Xará Villela
Fazenda Masceno. Foto: Xará Villela

Mudanças Climáticas

 
Diversas atividades humanas emitem gases de efeito estufa (GEEs), dentre os quais os principais são o CO2, o CH4 e o N2O. Algumas atividades, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, intensificam o aquecimento global, provocando alterações no sistema climático do planeta. Isso significa que as estações do ano e períodos de chuva aos quais estamos acostumados ficam cada vez mais imprevisíveis e que espécies e ecossistemas naturais tornam-se ainda mais ameaçados. 


Diante desse cenário, diversos países, incluindo o Brasil, comprometeram-se a agir contra a mudança global do clima. O marco histórico foi a assinatura do “Acordo de Paris”, em 2015, durante a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 21) – evento do qual a Fundação Grupo Boticário participou como observadora. 


O objetivo declarado do Acordo de Paris é “conter o aumento da temperatura média global em bem menos do que 2°C acima dos níveis pré-industriais e envidar esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, reconhecendo que isso reduziria de maneira significativa os riscos e os impactos da mudança climática”. Mas estamos próximos de ultrapassar esta meta, pois hoje nosso planeta é, em média, 1,1ºC mais quente do que era no período pré-industrial.  


A Fundação Grupo Boticário direciona esforços para que a conservação da natureza seja considerada nas estratégias brasileiras de mitigação (redução na emissão de GEEs) e adaptação às mudanças climáticas, pois mesmo com a redução das emissões, precisaremos nos adaptar às mudanças que estão ocorrendo. Isso é feito por meio de geração de conhecimento científico e de influência em políticas públicas e privadas.


Os ambientes naturais bem conservados aumentam a nossa resiliência aos efeitos negativos das alterações no clima. Além disso, as áreas naturais protegidas são estratégicas, pois o carbono capturado da atmosfera pela vegetação fica armazenado tanto na biomassa (plantas e animais) como no solo. 


Adaptação baseada em Ecossistemas

“Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE) consiste no uso dos serviços ecossistêmicos e da biodiversidade como parte de uma estratégia de adaptação mais ampla para auxiliar as pessoas e as comunidades a se adaptarem aos efeitos negativos das mudanças climáticas em nível local, nacional, regional e global” (UNEP, 2012)



O conceito, o histórico e as oportunidades de incorporação da AbE em políticas públicas estão compiladas em um documento elaborado pela Fundação Grupo Boticário em 2015. A instituição participa de diversos fóruns e redes, com o objetivo de contribuir com as discussões sobre a importância da conservação da biodiversidade na adaptação à mudança do clima e no aumento de resiliência das comunidades a essas mudanças. Entre as principais contribuições, podemos citar:


o Participação na construção do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, homologado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em maio de 2016;

o Desenvolvimento, em conjunto com o MMA, GVces e outros parceiros, de uma ferramenta de adaptação destinada à sociedade civil e da Plataforma de conhecimento em Adaptação (AdaptaClima);

o Apresentação de nossas iniciativas em fóruns e redes nacionais e internacionais;

o Contribuição na publicação “Gerenciamento de Risco Climático”, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).


o Contribuição na revisão do Guia de Adaptação às Mudanças Climáticas para entes federativos, editado pela WWF.


Observatório do Clima


Mais de 40 organizações, incluindo a Fundação Grupo Boticário, formam o Observatório do Clima (OC), rede que, há mais de 15 anos, tem o objetivo de articular atores sociais para que o governo assuma compromissos, e implemente políticas públicas efetivas em favor da redução de emissões de GEEs e da adaptação à mudança do clima no país. 


A Fundação faz parte da coordenação do OC e do Grupo de Trabalho de adaptação do OC, reforçando a importância dos serviços ecossistêmicos junto a outras estratégias de adaptação. 


As principais ferramentas do Observatório do Clima para apoiar a sociedade civil na busca de informações sobre os impactos da mudança do clima e formas de monitoramento são o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG); o Monitor Elétrico; o Monitor Agropecuário e o MapBiomas​​ – plataforma para monitoramento de mudanças de uso do solo, criada em parceria com o Google.