Nome da Foto
Araracanga. Foto: Haroldo Palo Jr.

Notícias

25 abr 2018
Apoio a Projetos

Programa para conservação do peixe-boi-marinho é lançado em campanha nas redes sociais

Iniciativa aposta na construção de cativeiros naturais e na educação ambiental

​Peixe-boi-marinho está classificado como ‘vulnerável’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)​.
Crédito: Luciano Candisani
Na última semana foi lançado, por meio de campanhas nas redes sociais da Fundação Mamíferos Aquáticos, o Programa Peixe-boi-marinho, que conta com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O Programa tem ações previstas até 2020 e visa mudar o status de conservação da espécie com a reintrodução do peixe-boi-marinho em seu habitat por meio da construção de dois cativeiros naturais: o primeiro na Barra do Mamanguape, na Paraíba; e o segundo no município de Soure, no Pará. A reintrodução em áreas preferenciais tem como objetivo minimizar os impactos que a espécie sofre com a ação do homem, como o despejo de dejetos em locais inadequados e o tráfego de embarcações, que podem provocar o afugentamento e até mesmo o atropelamento dos animais. 

A iniciativa busca promover a educação ambiental e o desenvolvimento do turismo de observação, formando uma rede de colaboradores locais como uma alternativa para o crescimento econômico sustentável. “Contribuir com a conservação dessa espécie em regiões tão carentes desses esforços, como o Norte e o Nordeste do Brasil, com certeza nos traz muita satisfação” afirma o médico veterinário e responsável técnico pelo Programa, João Carlos Gomes Borges. 

O Trichechus manatus, nome científico da espécie, é classificado como um mamífero aquático de grande porte. Apesar de poder chegar a 600 quilos e 4 metros de comprimento, é um animal dócil e frágil. Atualmente, seu status está classificado como ‘vulnerável’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com cerca de 1.000 desses animais distribuídos de forma descontínua na região Nordeste do país. Na região Norte, as estimativas populacionais ainda carecem de informações.

Para a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes, essa ação é mais uma que justifica todo os investimentos em projetos e programas pelo país. “Essas iniciativas envolvem não apenas os pesquisadores, mas toda a comunidade, proporcionando um ganho da biodiversidade, além de ser uma forma de desenvolvimento econômico, que são conquistas essenciais para as comunidades locais”, avalia.

Monitoramento prévio motivou criação do Programa

Entre 2016 e 2017, o projeto “Desenvolvimento e difusão de tecnologia inovadora aplicada ao monitoramento satelital e conservação dos peixes¬-bois marinhos (Trichechus manatus) no Brasil”, que também teve o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, buscou monitorar a espécie para elaborar medidas de conservação mais efetivas. 

Em parceria com uma empresa brasileira de tecnologia, a Nortronic, que fabrica todo o aparato utilizado para monitorar os peixes-boi via satélite, foram coletados dados que possibilitaram analisar informações sobre a localização dos animais, características das áreas habitadas, padrões comportamentais e aspectos ecológicos da espécie. Com isso, foi possível verificar as áreas com maior tempo de permanência dos animais monitorados, sendo uma delas na Zona de Proteção Estuarina (ZPE) da Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape. Baseada nesta preferência, foi proposta a ampliação dos limites territoriais da ZPE em 0,150798 hectares.