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Araracanga. Foto: Haroldo Palo Jr.

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20 fev 2015
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Papagaio-de-cara-roxa apresenta melhoria em seu status de conservação

Iniciativas apoiadas pela Fundação Grupo Boticário contribuem para a conservação da ave que vive numa pequena porção de Mata Atlântica entre os estados de São Paulo e Santa Catarina

O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) passou da categoria “vulnerável” para “quase ameaçada”, na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção
Crédito: Zig Koch
A nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção foi divulgada no final de 2014 pelo Ministério do Meio Ambiente e conta, agora, com 1.173 espécies. Apesar do aumento do número total de fauna ameaçada – eram 816 em 2003, a versão atualizada da lista elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)  indica avanços na conservação da biodiversidade nacional. Um exemplo disso é que 170 espécies saíram das três categorias de risco de extinção (criticamente em perigo, em perigo e vulnerável), como o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), que passou da categoria “vulnerável” para “quase ameaçada”.
 
Endêmica da Mata Atlântica, essa ave habita apenas uma estreita faixa litorânea de aproximadamente 285 km entre o sul de São Paulo e o extremo norte de Santa Catarina. Devido ao comércio de animais silvestres e à degradação desses locais onde busca alimento, reproduz-se, faz seu ninho e descansa em dormitórios coletivos, o papagaio-de-cara-roxa se apresentava como vulnerável na lista de espécies ameaçadas de extinção.
 
A reclassificação da espécie demonstra que o trabalho em conservação está gerando frutos e uma das iniciativas que contribuíram para esse resultado foi o Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, que é desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e conta com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
 
O projeto desenvolve, desde 1998, ações de pesquisa e proteção da espécie e seu habitat, como a instalação de ninhos artificiais e a orientação e a sensibilização dos moradores e visitantes da região para a proteção do papagaio-de-cara-roxa. Essas iniciativas contribuíram para elevar a população total dessa espécie, que hoje é estimada em 6.700 indivíduos, sendo que a maior parte – cerca de cinco mil aves – vive no litoral do Paraná.
 
“A reavaliação dessa espécie deve ser comemorada, pois indica que a principal região onde ocorre, o litoral norte do Paraná, está em bom estado de conservação, o que possibilita a recuperação de uma espécie ameaçada”, afirma a coordenadora do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, Elenise Sipinski. Entretanto, ela destaca: “não significa que a luta está ganha. O trabalho deve continuar”.
 
A coordenadora do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica/ICMBio (PAN Papagaios), Patricia Serafini, do ICMBio, também ressalta que essas ações de manejo para conservação não podem parar. Segundo ela, sem o trabalho de fornecimento de ninhos artificiais e seu monitoramento, o sucesso reprodutivo poderá ser comprometido em curto prazo, uma vez que o corte seletivo de árvores de grande porte causou a baixa disponibilidade de ocos naturais para ninhos.
 
“Se as ações de conservação não continuarem, o papagaio-de-cara-roxa pode voltar rapidamente a maiores graus de ameaça no Paraná; além disso, os esforços precisam ser intensificados em São Paulo, onde a estimativa é que existam apenas 1,5 mil indivíduos dessa espécie”, complementa a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes. Ela lembra que, atualmente, a instituição apoia um programa da SPVS para promover ações do papagaio-de-cara-roxa também em território paulista.
 
Apoio que contribuiu para a conservação de espécies ameaçadas
A Fundação Grupo Boticário apoiou mais de 1.400 iniciativas para a conservação da natureza no Brasil, que contribuíram para a proteção de 238 espécies ameaçadas. Dessas espécies, 23 deixaram de integrar as novas listas do ICMBio de fauna e flora em risco de extinção. Entre elas, além do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), estão a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), a jaguatirica (Leopardus pardalis mitis), o albatroz-de-sobrancelha (Thalassarche melanophris) e a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae). Essa última, após inúmeras iniciativas para sua conservação, passou de cerca de 500 a 1.000 indivíduos na costa brasileira no final dos anos 1960 para cerca de 15 mil indivíduos anualmente, de acordo com dados do Instituto Baleia Jubarte.