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Araracanga. Foto: Haroldo Palo Jr.

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12 nov 2018
Institucional

Cultura e arte para financiar a conservação da natureza

Novo modelo de negócio ajuda a ampliar recursos para a proteção de áreas naturais e espécies em extinção

Reprodução: Facebook Ateliê ​Bicudinho-do-brejo
Você sabia que a conservação da natureza pode ser algo economicamente rentável? E que a renda pode ser revertida justamente em benefício dela mesma? Um termo relativamente novo tem ganhado espaço nos meios ambiental e social e mostrado que é possível empreender com propósito e criar uma economia mais inclusiva. Os negócios de impacto são iniciativas que objetivam garantir retorno socioambiental positivo à sociedade e ganho financeiro ao empreendimento, simultaneamente. 

Foi nesse contexto que o projeto Ateliê Bicudinho-do-Brejo foi criado. A partir de um programa de conservação da espécie, conduzido há mais de 20 anos com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a bióloga e idealizadora da Reserva Bicudinho-do-Brejo, Bianca Reinert, encontrou na arte com cerâmica uma nova forma de homenagear o passarinho e fazer com que as pessoas olhassem e valorizassem o ambiente ao redor dele.

“Entendemos que os negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados”, comenta Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário.

Legado

Foi em 2016, por conta de um câncer que a impedia de continuar indo a campo, que Bianca Reinert, falecida em setembro de 2018, deixou o seu lado artístico falar mais alto e começou a produção de colares de argila. Nesse momento, a parceria e o apoio do marido - e também biólogo -, Ricardo Lopes, foram essenciais, sendo ele o primeiro a modelar um pequeno passarinho de cerâmica. A partir daí, o projeto desenvolveu uma série de produtos artísticos - entre canecas e outros artigos, acessórios e um livro - que sustenta a ação, sem auxílio financeiro de outros atores.

Ao unir arte e conservação, informação e cultura, Ricardo deseja tornar conhecido um mundo tão próximo das pessoas, mas ainda pouco apreciado: o da natureza. O ateliê tem como objetivo gerar recursos para a manutenção do Projeto Bicudinho-do-Brejo na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba, que continua ativa pela conservação da espécie e em memória à Bianca.