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Araracanga. Foto: Haroldo Palo Jr.

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27 mai 2015
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Censo mundial do papagaio-de-peito-roxo indica situação de grave ameaça

Levantamento internacional foi realizado no Brasil, Argentina e Paraguai; 91% dos papagaios foram registrados no Brasil em ambiente natural reduzido a 8% de seu tamanho original

O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) é classificado em nível mundial de ameaça de extinção como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
Crédito: Haroldo Palo Jr.
De todas as regiões naturais do planeta, o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) só pode ser encontrado em três locais: na Mata Atlântica brasileira, no sudeste do Paraguai e na região de Missiones, Argentina. Para verificar o real tamanho populacional dessa carismática espécie, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza financia o Projeto Charão, que, em parceria com instituições dos três países, realizou o censo internacional. Finalizado em maio deste ano, o censo apresentou informações preocupantes: restam cerca de três mil papagaios-de-peito-roxo na natureza.
 
Desde 2012, a ave é classificada em nível mundial como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), principal autoridade para a classificação do risco de ameaça de espécies no mundo. Porém, não havia ainda informações confiáveis sobre o real tamanho da população atual, nem da sua distribuição exata – pontos agora apresentados de modo inédito pelo censo.
 
População é 25% menor do que o esperado
“Realizamos contagens no mesmo período (de 02 a 12 de maio) em todos os estados onde a espécie ocorre – de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, bem como nos países vizinhos”, afirma Nêmora Pauletti Prestes, pesquisadora da Universidade de Passo Fundo e coordenadora das atividades do censo. O diagnóstico mostrou que existem aproximadamente três mil indivíduos em todo o mundo, sendo que o Brasil abriga 91% (2.857) desse total. Pesquisadores registraram 143 papagaios para a Argentina e 133 para o Paraguai. Antes do diagnóstico, a expectativa era que existissem quatro mil aves, cerca de mil a mais do que o registrado.
 
Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, avalia o cenário como delicado. “A espécie enfrenta neste momento sérios riscos, visto que seu tamanho populacional está drasticamente reduzido e bem abaixo de níveis seguros”, explica. Diante dessa realidade, ela indica ainda que “o status de conservação do papagaio-de-cara-roxa precisa ser revisto de modo urgente, inserindo-o na categoria de ‘criticamente ameaçado’ e chamando a atenção da sociedade e do poder público para esse cenário delicado”.
 
Maior parte da espécie vive em ambiente ameaçado
O censo também apontou quais regiões possuem maior concentração populacional e, por isso, têm prioridade para conservação. Santa Catarina abriga as populações mais significativas – em torno de 1500 indivíduos -, vivendo em remanescentes de Floresta com Araucárias, ecossistema do qual resta menos de 1% em estágio avançado de conservação e que é associado à Mata Atlântica, reduzida a menos de 8%. “Com essas duas valiosas informações de quantos são e de onde vivem os papagaios, temos mais subsídios para colocar em prática as ações definidas no Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica”, ressalta Nêmora Prestes.
 
Revertendo o cenário
A pesquisadora explica que, a partir de agora, será dado andamento em várias frentes. Na área de educação ambiental será trabalhada a sensibilização das pessoas para que não comprem esses papagaios, pois estão fomentando o comércio clandestino de animais silvestres. Outra estratégia de conservação da espécie é a instalação de ‘caixas-ninho’ na floresta para ampliar as possibilidades de locais para reprodução.  Nêmora conta que isso é necessário porque essas aves utilizam ocos das árvores para a reprodução, os quais estão ficando mais raros na natureza, porque estão normalmente associados a florestas com melhor grau de conservação.
 
O projeto também irá propor ao governo de Santa Catarina a criação de um corredor ecológico que permeie os municípios do planalto serrano catarinense onde a espécie é mais presente. Desse modo, pretende-se ampliar a proteção da Floresta com Araucárias e a proteção da ave.
 
Além da Fundação Grupo Boticário, outros parceiros da iniciativa foram a Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Passo Fundo (UPF), o Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), Sociedade de Pesquisa em Vida Silvestre e Educação Ambiental (SPVS), Universidade de Chapecó (Unochapecó), Copel, Klabin S/A, Guyra Paraguay (Paraguai), Associación Ornitológica del Plata (Argentina) e Proyecto Pino Paraná (Argentina).