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Araracanga. Foto: Haroldo Palo Jr.

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23 fev 2018
Reserva Natural Serra do Tombador

Após sofrer com queimadas, uma das maiores RPPNs de Cerrado recebe expedição

Durante dez dias, pesquisadores vão monitorar área com o objetivo de mostrar a relevância da conservação da biodiversidade na Reserva Natural Serra do Tombador

​Localizada em Goiás, Reserva Natural Serra do Tombador recebe pesquisadores de diversas universidades brasileiras.
Crédito: André Dib
Em 20 de fevereiro, doze pesquisadores embarcaram em uma expedição de dez dias na Reserva Natural Serra do Tombador, localizada na porção central do Cerrado e mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma das maiores de Goiás e, assim como grande parte do Cerrado, sofreu com queimadas do último ano.
 
Com foco em pesquisa, os especialistas farão uma imersão na região com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as espécies da região e avaliar o impacto do fogo na biodiversidade local. “Nossa ideia é tornar essa expedição um “marco zero” do monitoramento do impacto do fogo no Cerrado na Reserva Natural Serra do Tombador. Nos últimos anos, as queimadas têm atingido grande parte do bioma e um estudo como este vai possibilitar uma melhor compreensão de como o fogo pode influenciar o equilíbrio dos ecossistemas da Reserva”, comenta Natacha Sobanski, analista de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

A primeira expedição de biodiversidade para a Reserva Natural Serra do Tombador, coordenada por Reuber Brandão, foi realizada em 2016 e teve como foco o aumento do conhecimento sobre peixes, pequenos mamíferos, morcegos e anfíbios. Durante dez dias foram realizados mais de 60 novos registros de espécies no local. “Isso não quer dizer que todas são novas para a ciência, mas que encontramos espécies que nunca haviam sido avistadas na Reserva, algumas delas raras, endêmicas e ameaçadas, ressaltando a importância do local para a conservação da biodiversidade do Cerrado ”, ressalta Natacha. Neste ano, a saída de campo terá como foco os pequenos mamíferos, as aves, o levantamento da flora e também das formigas – insetos que podem ser considerados bioindicadores do impacto do fogo sobre o ambiente e, quando monitorados, podem fornecer informações importantes sobre as queimadas que ocorrem no Cerrado.

A expedição será realizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e contará com a participação de especialistas da Universidade Federal de Viçosa, da Universidade Federal de Goiás e da PUC-Goiás. Estudos como esse são de grande importância para embasar, por exemplo,  a implementação de futuras estratégias e políticas de prevenção e combate ao fogo, mal que acomete o Cerrado todos os anos. Além disso, os registros dos trabalhos dos pesquisadores e especialistas servirão também de base para um minidocumentário que irá contribuir para geração de conhecimento sobre o impacto do fogo no Cerrado.

O coordenador da expedição e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Fabiano Melo, avalia a viagem como uma excelente oportunidade de melhorar o conhecimento ambiental da região e de se preparar para a presença cada vez mais constante do fogo. “Teremos um tempo de campo considerado curto, mas estamos embarcando com o intuito de  buscar novos dados e novas espécies no estado de Goiás. Temos a nosso favor o ambiente que a Reserva nos oferece pelo seu grau de isolamento e o contínuo vegetacional de Cerrado respeitoso que ela nos oferece", destaca Melo.